segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

O Mundo e a sua Biografia

O mundo tem dois olhos, um nariz e uma boca,
E um pequeno coração, mirrado, a tiquetaquear,
Caindo constantemente, da mais alta nuvem ao fundo do mar.
Mexe-se, compõe-se, conquista um ou dois espaços, por entre o resto do corpo,
E lá bombeia ele, sozinho e sereno, inato e pleno no seu lugar.

O mundo vive sozinho, habita no seu próprio pensamento complexo,
Ele que está cheio de complexidades, atrocidades, mentiras e meias verdades,
e porque não?, verdades genuínas, que só ele consegue alcançar.
E tantos há como ele, nesse sistema solar, nessa galáxia, pelo universo adentro,
Com as suas verdades genuínas, com a sua perfeição e habilidade,
e capacidade de serem incapacitados de compreender uma maior complexidade.

A complexidade é simples, pelo facto de ser motivada.
Se tem motivo, é simples, é um paradoxo assente,
e nada mais tem que se lhe diga.
Mas a complexidade do complexo, é a sua aptidão de se entrelaçar ainda mais em si mesmo, quando na verdade é simples, e nada mais tem que se lhe diga.

Um facto, mais que dogma ou conclusão filosófica,
É que este mundo onde vivo, entende-se por inteiro,
Compreende-se em todos os aspectos mais infímos do seu ser.
E agora a piada da complexidade:
Mesmo ao compreender-se ao todo,
Sem falta de acento ou vírgula,
Este, de tão simples que é,
Nao consegue definir o quão complexo os outros o vêm.


Paulo Oliveira

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