Por volta do pôr-do-sol numa dança de loucos senti o teu amor
Eram meados de Fevereiro
A luz caia em pingas dos candeeiros
No Norte os sobreiros ondulavam com o sabor das ondas
E o sol queimava-se em tons de roxo e azul.
Voltei a ver-te ainda em meados de Fevereiro
Tentei beijar-te enquanto a água ascendia sobre as nuvens
Ia jurar que senti o teu calor mas mais noite já era
Que a noite já deveras foi.
Pelo veludo percorri os olhos e sobre os olhos
Caí em desgraça ténue
No sabor sonhei acordado pela brisa de lavanda
Pelas bandas do som procurei a voz
E nem o meu sóbrio tom reconheci.
Em meados de Fevereiro caí nos braços do Diabo e acordei nos meus próprios.
sábado, 14 de fevereiro de 2009
sábado, 10 de janeiro de 2009
Insane, i keep wondering, why would Wayne born ?
And over tomorrow, i gazed a stare, while it came coming
Running over the vines and the pines, and the shadows upon itself.
Wayne was being created, like a simphony in the making,
With harsh notes and plain devote sentimentalism,
For whom the sentimentalism is just nothing more than anything,
As it is itself.
As i crumbled over the death wishes of the crowd,
And the glory sound of evil and terror, and as Jesus was being faded
Into a blooded wound, i keep steady, feeling more than the incest
Between my heart and my doom.
Tomorrow kept coming, faster than the morning blast,
And soon it was so near, that the world shivered,
And recreated itself in his own magesture.
Oh, the guilt...
World has his saviour.
And over tomorrow, i gazed a stare, while it came coming
Running over the vines and the pines, and the shadows upon itself.
Wayne was being created, like a simphony in the making,
With harsh notes and plain devote sentimentalism,
For whom the sentimentalism is just nothing more than anything,
As it is itself.
As i crumbled over the death wishes of the crowd,
And the glory sound of evil and terror, and as Jesus was being faded
Into a blooded wound, i keep steady, feeling more than the incest
Between my heart and my doom.
Tomorrow kept coming, faster than the morning blast,
And soon it was so near, that the world shivered,
And recreated itself in his own magesture.
Oh, the guilt...
World has his saviour.
segunda-feira, 5 de janeiro de 2009
O Mundo e a sua Biografia
O mundo tem dois olhos, um nariz e uma boca,
E um pequeno coração, mirrado, a tiquetaquear,
Caindo constantemente, da mais alta nuvem ao fundo do mar.
Mexe-se, compõe-se, conquista um ou dois espaços, por entre o resto do corpo,
E lá bombeia ele, sozinho e sereno, inato e pleno no seu lugar.
O mundo vive sozinho, habita no seu próprio pensamento complexo,
Ele que está cheio de complexidades, atrocidades, mentiras e meias verdades,
e porque não?, verdades genuínas, que só ele consegue alcançar.
E tantos há como ele, nesse sistema solar, nessa galáxia, pelo universo adentro,
Com as suas verdades genuínas, com a sua perfeição e habilidade,
e capacidade de serem incapacitados de compreender uma maior complexidade.
A complexidade é simples, pelo facto de ser motivada.
Se tem motivo, é simples, é um paradoxo assente,
e nada mais tem que se lhe diga.
Mas a complexidade do complexo, é a sua aptidão de se entrelaçar ainda mais em si mesmo, quando na verdade é simples, e nada mais tem que se lhe diga.
Um facto, mais que dogma ou conclusão filosófica,
É que este mundo onde vivo, entende-se por inteiro,
Compreende-se em todos os aspectos mais infímos do seu ser.
E agora a piada da complexidade:
Mesmo ao compreender-se ao todo,
Sem falta de acento ou vírgula,
Este, de tão simples que é,
Nao consegue definir o quão complexo os outros o vêm.
Paulo Oliveira
E um pequeno coração, mirrado, a tiquetaquear,
Caindo constantemente, da mais alta nuvem ao fundo do mar.
Mexe-se, compõe-se, conquista um ou dois espaços, por entre o resto do corpo,
E lá bombeia ele, sozinho e sereno, inato e pleno no seu lugar.
O mundo vive sozinho, habita no seu próprio pensamento complexo,
Ele que está cheio de complexidades, atrocidades, mentiras e meias verdades,
e porque não?, verdades genuínas, que só ele consegue alcançar.
E tantos há como ele, nesse sistema solar, nessa galáxia, pelo universo adentro,
Com as suas verdades genuínas, com a sua perfeição e habilidade,
e capacidade de serem incapacitados de compreender uma maior complexidade.
A complexidade é simples, pelo facto de ser motivada.
Se tem motivo, é simples, é um paradoxo assente,
e nada mais tem que se lhe diga.
Mas a complexidade do complexo, é a sua aptidão de se entrelaçar ainda mais em si mesmo, quando na verdade é simples, e nada mais tem que se lhe diga.
Um facto, mais que dogma ou conclusão filosófica,
É que este mundo onde vivo, entende-se por inteiro,
Compreende-se em todos os aspectos mais infímos do seu ser.
E agora a piada da complexidade:
Mesmo ao compreender-se ao todo,
Sem falta de acento ou vírgula,
Este, de tão simples que é,
Nao consegue definir o quão complexo os outros o vêm.
Paulo Oliveira
Sente Amor,
O portão estava aberto, e o chão tremia,
À medida que o véu negro da noite ia digerindo toda a luz à sua volta.
Ele caminhou por entre as campas e os mausoléus,
Por entre os uivos e o silêncio da noite, pela morte e pela vida,
E por si mesmo, até chegar ao seu destino.
O vento escrevia na campa o nome de Joana, uma campa sem qualquer gravação.
Corria nas ruas o conto da pobre rapariga assassinada, e o pobre rapaz que a amava.
E ele entoava algumas palavras, à medida que olhava para a campa.
" E o mundo, e os seus olhos, decapitam, e meditam, e descreditam, e assassinam. O lixo do mundo é o mundo em si, e que se dá de si,e que morre em si, e que foge em si de si mesmo."
Esta última expressão, ele repetia, uma duas três vezes, até voltar ao ínicio.
A lua foi-se escondendo entre as nuvens, e nem o silêncio ensurdecedor dos mortos o intimidava.
Do chão saiam larvas, baratas, aranhas, e subiam por ele, num frenezim,
E ele fitava a campa, à medida que repetiu pela última vez a última expressão.
"E que foge em si de si mesmo."- e terminou, - " Tudo o que vemos é tudo o que temos, tudo o que temos é a certeza. E concerteza, que esta está morta."
Apontou então um revolver à sua cabeça, encostou-se à campa, e disparou sobre si mesmo o seu único destino certo. Os necrófagos espalharam-se sobre ele, como o sangue escorreu sobre a campa, e o suspiro final soou como o nome da sua amada.
E nada mais há a dizer, o Mundo precisa de sacrifícios para comer, e de carrascos para os servir.
À medida que o véu negro da noite ia digerindo toda a luz à sua volta.
Ele caminhou por entre as campas e os mausoléus,
Por entre os uivos e o silêncio da noite, pela morte e pela vida,
E por si mesmo, até chegar ao seu destino.
O vento escrevia na campa o nome de Joana, uma campa sem qualquer gravação.
Corria nas ruas o conto da pobre rapariga assassinada, e o pobre rapaz que a amava.
E ele entoava algumas palavras, à medida que olhava para a campa.
" E o mundo, e os seus olhos, decapitam, e meditam, e descreditam, e assassinam. O lixo do mundo é o mundo em si, e que se dá de si,e que morre em si, e que foge em si de si mesmo."
Esta última expressão, ele repetia, uma duas três vezes, até voltar ao ínicio.
A lua foi-se escondendo entre as nuvens, e nem o silêncio ensurdecedor dos mortos o intimidava.
Do chão saiam larvas, baratas, aranhas, e subiam por ele, num frenezim,
E ele fitava a campa, à medida que repetiu pela última vez a última expressão.
"E que foge em si de si mesmo."- e terminou, - " Tudo o que vemos é tudo o que temos, tudo o que temos é a certeza. E concerteza, que esta está morta."
Apontou então um revolver à sua cabeça, encostou-se à campa, e disparou sobre si mesmo o seu único destino certo. Os necrófagos espalharam-se sobre ele, como o sangue escorreu sobre a campa, e o suspiro final soou como o nome da sua amada.
E nada mais há a dizer, o Mundo precisa de sacrifícios para comer, e de carrascos para os servir.
quinta-feira, 18 de dezembro de 2008
My Lord
Deus, escreve um soneto.
Canta neste momento o teu suave impeto de criação.
Reinventa a revolução, faz de nós uma prosa bela
Faz do nosso coração uma manivela, pronta a ser accionada,
Deus, faz de nós uma história cantada.
Os Teus anjos vão descer hoje,
Elevando-se à medida que descem,
Brilhando escurecem, escurecem-nos.
Eu acredito, juro que acredito, na Tua revelação,
Mas Deus, o Teu filho nao é nosso irmão.
Eu não sou perfeito, nunca vi ninguém que se mostrasse perfeito,
Nunca operei milagres, nem aceito o enfeito no meu coração.
Se ele é feio,e é feio,
Que se mostre feio a toda a gente,
Que se mostre feio e indecente,
Que aqueça o chão com o frio do seu olhar.
Negro e ímpar,
Negro e ímpar.
Pai, desmistifica a obra científica da nossa essência,
E se erro no que ordeno, peço clemência, eu não sou mais que um produto da Tua existência.
Canta neste momento o teu suave impeto de criação.
Reinventa a revolução, faz de nós uma prosa bela
Faz do nosso coração uma manivela, pronta a ser accionada,
Deus, faz de nós uma história cantada.
Os Teus anjos vão descer hoje,
Elevando-se à medida que descem,
Brilhando escurecem, escurecem-nos.
Eu acredito, juro que acredito, na Tua revelação,
Mas Deus, o Teu filho nao é nosso irmão.
Eu não sou perfeito, nunca vi ninguém que se mostrasse perfeito,
Nunca operei milagres, nem aceito o enfeito no meu coração.
Se ele é feio,e é feio,
Que se mostre feio a toda a gente,
Que se mostre feio e indecente,
Que aqueça o chão com o frio do seu olhar.
Negro e ímpar,
Negro e ímpar.
Pai, desmistifica a obra científica da nossa essência,
E se erro no que ordeno, peço clemência, eu não sou mais que um produto da Tua existência.
segunda-feira, 15 de dezembro de 2008
Auto Retrato em Prosa
Eu sou quem sou. Quem me vê de relance vê-me por inteiro, sou um mero passageiro da minha aparência. Vêem olhos que são da cor que querem quando querem, e a sua expressão é escassa, bruta e devassa. Espalham ao seu redor um fedor imenso e emaranhado em essências intensas da indiferença e da apatia. Vêem um cabelo mal tratado a que nada se tem a dizer. Essa minha aparência é esta, aqui definida por um par de linhas. ( E, parecendo que não, demonstro aqui a minha inaptidão incrível ao raciocínio lógico e matemático. )
O que eu sou, e o que me define, é um conjunto de proposições indefinidas. Não sei do que sou capaz, não sei quem sou e quem vou ser, não sei se não morrerei até amanhã. ( Talvez com a morte a vida ganhe significado. ) E não sei também outras mil e uma coisas que outrém sabe, não me preocupo em sabê-las e critico quem tem um apetite ávido de as saber.
Eu cá nem sei como ávido se escreve, o som não desmistifica a tonalidade, na verdade é o contrário. A cor da palavra, o seu paladar e o seu sentido ultrapassam o seu som. Não importa se a pronunciamos bem, não importa se para nós o significado é diferente, importa sim o que sentimos quando as dizemos. As palavras falam, cantam, entrelaçam, esvoaçam, dão vida, alegram, entristecem, matam.
E o meu ser não é mais que uma palavra, para a qual ninguém encontra significado, som ou sentido. Será uma palavra estranha, disso tenho a certeza. Consigo definir-me completamente, tendo em conta o que sei de mim mesmo, com a palavra "estranho". Tenho um massivo desejo de auto-destruição, não sou como ninguém que conheço,e ninguém me conhece como sou. Quando somos estranhos, não existe a percepção do certo e do errado, enlaça-se o desejo num emaranhado de acontecimentos e emoções. Quando somos estranhos, não sabemos o que sentimos, nem sabemos se o que sentimos são na verdade sentimentos, ou então uma versão amolgada e plástica destes. Cometemos incestos e atropelamos proibições com falsas intenções desmedidas, tudo isto porque não aceitamos a normalidade e a regularidade das situações. Quando se é estranho, não se sente uma única palavra, seja ela profunda ou provocada, e quando se tem a noção de sentir, ela foge e vai voando como uma pomba, branca , esperançada e confiante, e tudo o que sobra é uma restrição imensa dentro de cada um. E digo no plural tudo o que penso que sinto, na esperança que haja pelo mundo quem se sinta como eu. E a esperança há-de voar, não fosse ela uma pomba branca, esperançada de natureza e confiante de si mesma.
Quando sou estranho , e sou em todo o segundo da minha curta estadia, encurtada e vazia pela minha proclamada mutilação, vejo-me a criar todo um enredo factualmente errado da minha vida, e vivo-a como quero, e mesmo assim é imperfeita. O que me leva a pensar, desta vez correcta e reflexivamente, que sei então que além de ser estranho, sou masoquista. E rebaixo-me em todos os momentos da minha vida, intrinseca e levemente revestida, e actuo sobre a minha loucura como se fosse uma religião errada. Religião, não é Deus nem a Razão, nem o sorriso das crianças. Religião é a música, e a melancolia, e saber que o que faço é errado em todos os momentos, todos os meus intentos são fracassados, e as minhas escolhas furadas e vazias.
Eis que apresento então a minha religião empírica, sem qualquer dogma e vazia de qualquer crença. É a estranhice, e eu sou o seu Profeta. E espero encontrar depois seguidores, que acreditem na profecia da estranhice, e a sofram como eu sofro.
É uma síndrome, esta vida, tal como é uma síndrome a minha existência.
O que eu sou, e o que me define, é um conjunto de proposições indefinidas. Não sei do que sou capaz, não sei quem sou e quem vou ser, não sei se não morrerei até amanhã. ( Talvez com a morte a vida ganhe significado. ) E não sei também outras mil e uma coisas que outrém sabe, não me preocupo em sabê-las e critico quem tem um apetite ávido de as saber.
Eu cá nem sei como ávido se escreve, o som não desmistifica a tonalidade, na verdade é o contrário. A cor da palavra, o seu paladar e o seu sentido ultrapassam o seu som. Não importa se a pronunciamos bem, não importa se para nós o significado é diferente, importa sim o que sentimos quando as dizemos. As palavras falam, cantam, entrelaçam, esvoaçam, dão vida, alegram, entristecem, matam.
E o meu ser não é mais que uma palavra, para a qual ninguém encontra significado, som ou sentido. Será uma palavra estranha, disso tenho a certeza. Consigo definir-me completamente, tendo em conta o que sei de mim mesmo, com a palavra "estranho". Tenho um massivo desejo de auto-destruição, não sou como ninguém que conheço,e ninguém me conhece como sou. Quando somos estranhos, não existe a percepção do certo e do errado, enlaça-se o desejo num emaranhado de acontecimentos e emoções. Quando somos estranhos, não sabemos o que sentimos, nem sabemos se o que sentimos são na verdade sentimentos, ou então uma versão amolgada e plástica destes. Cometemos incestos e atropelamos proibições com falsas intenções desmedidas, tudo isto porque não aceitamos a normalidade e a regularidade das situações. Quando se é estranho, não se sente uma única palavra, seja ela profunda ou provocada, e quando se tem a noção de sentir, ela foge e vai voando como uma pomba, branca , esperançada e confiante, e tudo o que sobra é uma restrição imensa dentro de cada um. E digo no plural tudo o que penso que sinto, na esperança que haja pelo mundo quem se sinta como eu. E a esperança há-de voar, não fosse ela uma pomba branca, esperançada de natureza e confiante de si mesma.
Quando sou estranho , e sou em todo o segundo da minha curta estadia, encurtada e vazia pela minha proclamada mutilação, vejo-me a criar todo um enredo factualmente errado da minha vida, e vivo-a como quero, e mesmo assim é imperfeita. O que me leva a pensar, desta vez correcta e reflexivamente, que sei então que além de ser estranho, sou masoquista. E rebaixo-me em todos os momentos da minha vida, intrinseca e levemente revestida, e actuo sobre a minha loucura como se fosse uma religião errada. Religião, não é Deus nem a Razão, nem o sorriso das crianças. Religião é a música, e a melancolia, e saber que o que faço é errado em todos os momentos, todos os meus intentos são fracassados, e as minhas escolhas furadas e vazias.
Eis que apresento então a minha religião empírica, sem qualquer dogma e vazia de qualquer crença. É a estranhice, e eu sou o seu Profeta. E espero encontrar depois seguidores, que acreditem na profecia da estranhice, e a sofram como eu sofro.
É uma síndrome, esta vida, tal como é uma síndrome a minha existência.
domingo, 14 de dezembro de 2008
Aonde o Vento Levar
Hoje sento-me a escrever.
Como tantos outros dias, diga-se de passagem.
Mas hoje, ao contrário dos outros dias, não me sinto um Messias da minha verdade,
Na verdade sinto-me um alarve de pensamentos turvos e emoções trocadas.
Hoje, vou escrever o que o meu coração ditar,
E se ele decidir rimar, tanto melhor.
Chegou a hora de ser quem quero,
Elevar-me ao concreto desespero,
De ser mais um desses que caminha pelo chão seco.
E depois de ser quero-te conhecer,
Por dentro e por fora, quero-me sintar hábil de desenhar-te na minha mente,
Sem qualquer processo indecente,
Senão o da dor e sofrimento.
És um ser que move outro mero ser ao seu propenso abismo,
Que no seu positivismo, cai e voa picado, confiando no vento para o levar.
Essa és tu, e o abismo sou eu , o meu destino.
No sítio onde escrevo só existe uma janela. E de lá nao entra luz.
Está cerrada, encarcerada, acorrentada à sua liberdade.
Eu sinto-me o ser mais liberto de toda a humanidade, estou onde quero,
E como quero, e como pedir para estar com quem quero é demais,
Resigno-me ao meu brilho interno.
Ah, amor eterno, ardente inferno,
Ardor e dor e amor por sei lá o quê.
Contentas-te com emoções estragadas,
Intenções arruinadas, que espalhas pela tua maléfica existência.
Somos todos diabólicos,
Somos máquinas quentes movidas a ódio,
Controladas pelas mentes que actuam sobre Deus,
Esse Deus que nos deixa ser fiéis mórbidos da cadeia de acontecimentos,
E a morte é só um evento, só um evento,
Desta monstruosa criação.
E eu vivo nesta crítica intenção de me mudar a mim mesmo,
Na esperança que o mundo mude comigo.
Mário Neto
Como tantos outros dias, diga-se de passagem.
Mas hoje, ao contrário dos outros dias, não me sinto um Messias da minha verdade,
Na verdade sinto-me um alarve de pensamentos turvos e emoções trocadas.
Hoje, vou escrever o que o meu coração ditar,
E se ele decidir rimar, tanto melhor.
Chegou a hora de ser quem quero,
Elevar-me ao concreto desespero,
De ser mais um desses que caminha pelo chão seco.
E depois de ser quero-te conhecer,
Por dentro e por fora, quero-me sintar hábil de desenhar-te na minha mente,
Sem qualquer processo indecente,
Senão o da dor e sofrimento.
És um ser que move outro mero ser ao seu propenso abismo,
Que no seu positivismo, cai e voa picado, confiando no vento para o levar.
Essa és tu, e o abismo sou eu , o meu destino.
No sítio onde escrevo só existe uma janela. E de lá nao entra luz.
Está cerrada, encarcerada, acorrentada à sua liberdade.
Eu sinto-me o ser mais liberto de toda a humanidade, estou onde quero,
E como quero, e como pedir para estar com quem quero é demais,
Resigno-me ao meu brilho interno.
Ah, amor eterno, ardente inferno,
Ardor e dor e amor por sei lá o quê.
Contentas-te com emoções estragadas,
Intenções arruinadas, que espalhas pela tua maléfica existência.
Somos todos diabólicos,
Somos máquinas quentes movidas a ódio,
Controladas pelas mentes que actuam sobre Deus,
Esse Deus que nos deixa ser fiéis mórbidos da cadeia de acontecimentos,
E a morte é só um evento, só um evento,
Desta monstruosa criação.
E eu vivo nesta crítica intenção de me mudar a mim mesmo,
Na esperança que o mundo mude comigo.
Mário Neto
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