quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

My Lord

Deus, escreve um soneto.
Canta neste momento o teu suave impeto de criação.
Reinventa a revolução, faz de nós uma prosa bela
Faz do nosso coração uma manivela, pronta a ser accionada,
Deus, faz de nós uma história cantada.

Os Teus anjos vão descer hoje,
Elevando-se à medida que descem,
Brilhando escurecem, escurecem-nos.
Eu acredito, juro que acredito, na Tua revelação,
Mas Deus, o Teu filho nao é nosso irmão.
Eu não sou perfeito, nunca vi ninguém que se mostrasse perfeito,
Nunca operei milagres, nem aceito o enfeito no meu coração.

Se ele é feio,e é feio,
Que se mostre feio a toda a gente,
Que se mostre feio e indecente,
Que aqueça o chão com o frio do seu olhar.
Negro e ímpar,
Negro e ímpar.


Pai, desmistifica a obra científica da nossa essência,
E se erro no que ordeno, peço clemência, eu não sou mais que um produto da Tua existência.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Auto Retrato em Prosa

Eu sou quem sou. Quem me vê de relance vê-me por inteiro, sou um mero passageiro da minha aparência. Vêem olhos que são da cor que querem quando querem, e a sua expressão é escassa, bruta e devassa. Espalham ao seu redor um fedor imenso e emaranhado em essências intensas da indiferença e da apatia. Vêem um cabelo mal tratado a que nada se tem a dizer. Essa minha aparência é esta, aqui definida por um par de linhas. ( E, parecendo que não, demonstro aqui a minha inaptidão incrível ao raciocínio lógico e matemático. )
O que eu sou, e o que me define, é um conjunto de proposições indefinidas. Não sei do que sou capaz, não sei quem sou e quem vou ser, não sei se não morrerei até amanhã. ( Talvez com a morte a vida ganhe significado. ) E não sei também outras mil e uma coisas que outrém sabe, não me preocupo em sabê-las e critico quem tem um apetite ávido de as saber.
Eu cá nem sei como ávido se escreve, o som não desmistifica a tonalidade, na verdade é o contrário. A cor da palavra, o seu paladar e o seu sentido ultrapassam o seu som. Não importa se a pronunciamos bem, não importa se para nós o significado é diferente, importa sim o que sentimos quando as dizemos. As palavras falam, cantam, entrelaçam, esvoaçam, dão vida, alegram, entristecem, matam.
E o meu ser não é mais que uma palavra, para a qual ninguém encontra significado, som ou sentido. Será uma palavra estranha, disso tenho a certeza. Consigo definir-me completamente, tendo em conta o que sei de mim mesmo, com a palavra "estranho". Tenho um massivo desejo de auto-destruição, não sou como ninguém que conheço,e ninguém me conhece como sou. Quando somos estranhos, não existe a percepção do certo e do errado, enlaça-se o desejo num emaranhado de acontecimentos e emoções. Quando somos estranhos, não sabemos o que sentimos, nem sabemos se o que sentimos são na verdade sentimentos, ou então uma versão amolgada e plástica destes. Cometemos incestos e atropelamos proibições com falsas intenções desmedidas, tudo isto porque não aceitamos a normalidade e a regularidade das situações. Quando se é estranho, não se sente uma única palavra, seja ela profunda ou provocada, e quando se tem a noção de sentir, ela foge e vai voando como uma pomba, branca , esperançada e confiante, e tudo o que sobra é uma restrição imensa dentro de cada um. E digo no plural tudo o que penso que sinto, na esperança que haja pelo mundo quem se sinta como eu. E a esperança há-de voar, não fosse ela uma pomba branca, esperançada de natureza e confiante de si mesma.
Quando sou estranho , e sou em todo o segundo da minha curta estadia, encurtada e vazia pela minha proclamada mutilação, vejo-me a criar todo um enredo factualmente errado da minha vida, e vivo-a como quero, e mesmo assim é imperfeita. O que me leva a pensar, desta vez correcta e reflexivamente, que sei então que além de ser estranho, sou masoquista. E rebaixo-me em todos os momentos da minha vida, intrinseca e levemente revestida, e actuo sobre a minha loucura como se fosse uma religião errada. Religião, não é Deus nem a Razão, nem o sorriso das crianças. Religião é a música, e a melancolia, e saber que o que faço é errado em todos os momentos, todos os meus intentos são fracassados, e as minhas escolhas furadas e vazias.
Eis que apresento então a minha religião empírica, sem qualquer dogma e vazia de qualquer crença. É a estranhice, e eu sou o seu Profeta. E espero encontrar depois seguidores, que acreditem na profecia da estranhice, e a sofram como eu sofro.

É uma síndrome, esta vida, tal como é uma síndrome a minha existência.

domingo, 14 de dezembro de 2008

Aonde o Vento Levar

Hoje sento-me a escrever.
Como tantos outros dias, diga-se de passagem.
Mas hoje, ao contrário dos outros dias, não me sinto um Messias da minha verdade,
Na verdade sinto-me um alarve de pensamentos turvos e emoções trocadas.
Hoje, vou escrever o que o meu coração ditar,
E se ele decidir rimar, tanto melhor.



Chegou a hora de ser quem quero,
Elevar-me ao concreto desespero,
De ser mais um desses que caminha pelo chão seco.
E depois de ser quero-te conhecer,
Por dentro e por fora, quero-me sintar hábil de desenhar-te na minha mente,
Sem qualquer processo indecente,
Senão o da dor e sofrimento.
És um ser que move outro mero ser ao seu propenso abismo,
Que no seu positivismo, cai e voa picado, confiando no vento para o levar.
Essa és tu, e o abismo sou eu , o meu destino.

No sítio onde escrevo só existe uma janela. E de lá nao entra luz.
Está cerrada, encarcerada, acorrentada à sua liberdade.
Eu sinto-me o ser mais liberto de toda a humanidade, estou onde quero,
E como quero, e como pedir para estar com quem quero é demais,
Resigno-me ao meu brilho interno.

Ah, amor eterno, ardente inferno,
Ardor e dor e amor por sei lá o quê.
Contentas-te com emoções estragadas,
Intenções arruinadas, que espalhas pela tua maléfica existência.

Somos todos diabólicos,
Somos máquinas quentes movidas a ódio,
Controladas pelas mentes que actuam sobre Deus,
Esse Deus que nos deixa ser fiéis mórbidos da cadeia de acontecimentos,
E a morte é só um evento, só um evento,
Desta monstruosa criação.

E eu vivo nesta crítica intenção de me mudar a mim mesmo,
Na esperança que o mundo mude comigo.


Mário Neto

sábado, 13 de dezembro de 2008

Um céu vermelho

O céu vai-se pintar de uma cor,
De azul, ou cinzento, ou vermelho, ou do que quer que seja,
e mesmo assim vai haver um mesmo céu,
Com essa mesma cor, qualquer que seja.
Os meus olhos vão-se abrir de uma cor,
Em constante mudança,
Em primorosa alternância entre o seu espectro,
E mesmo assim, haverão dois mesmo olhos,
Que se alternarão, com a sua majestosa delicadeza,
Entre o meu próprio, pessoal espectro. Que é de qualquer outro também.
O meu coração, que tomo como meu e certo,
Sente o mesmo que outro coração qualquer,
Que se encontra perto do íman, himen partido,
Que é só teu, que não vejo em qualquer outro ser.
Então pensar ser diferente pelo simples facto de o ser,
É um simples erro logístico. É também, ( sem contar com rimas, iguais a tantas outras )
admitir que o mundo é igual e entediante.
Somos todos diferentes,
Quer sintamos, quer não,
E diz-se pelos caminhos calçados das ruas que viver é simplesmente sentir.
Sentir diferente.


Paulo Oliveira

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Os odores, e as flores, e chão que piso,
Chamam cores, e intrinsecos amores pintados por inteiro,
Num mundo traiçoeiro, que te alberga no seio do ser.
E viver é sentir os mil sentimentos, é ter milhões de tentos na grandeza,
Infame incerteza da nossa existência.
Da leveza do nossa tensão,
Nascem mil flechas enflamadas, intencionalmente direccionadas,
ao teu belo coração, e pelo caminho,
Captam incertezas e rudezas, firmes aleivezas e canções de embalar.
O amor é quase como uma floresta desbravada,
O caminho não é certo, mas o fim adivinha-se ao longe. ( e aqui perde-se a musicalidade. )
E o ardor que até Deus sente,
Esse Deus que invente maneira de o apagar.
E tu e eu contemo-nos na nossa vivência,e consequente indecência, e continuaremos a caminhar.

Mário Neto

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

White Snow Lady and Related Poisoned Apples

On the work, on a pub, on a stretch,
Crack open the door of the reason,
Misguided lights show the way,
To your own prison.

ohh,
no name, ohh,
Rain, the same,
as always.

Say, and re pay , and forget,
Eagles and words are defying to reset,
the animal is making his all prayers,
waiting for pity like it was theirs.

ohh,
Inflame,
ohh...