Deus, escreve um soneto.
Canta neste momento o teu suave impeto de criação.
Reinventa a revolução, faz de nós uma prosa bela
Faz do nosso coração uma manivela, pronta a ser accionada,
Deus, faz de nós uma história cantada.
Os Teus anjos vão descer hoje,
Elevando-se à medida que descem,
Brilhando escurecem, escurecem-nos.
Eu acredito, juro que acredito, na Tua revelação,
Mas Deus, o Teu filho nao é nosso irmão.
Eu não sou perfeito, nunca vi ninguém que se mostrasse perfeito,
Nunca operei milagres, nem aceito o enfeito no meu coração.
Se ele é feio,e é feio,
Que se mostre feio a toda a gente,
Que se mostre feio e indecente,
Que aqueça o chão com o frio do seu olhar.
Negro e ímpar,
Negro e ímpar.
Pai, desmistifica a obra científica da nossa essência,
E se erro no que ordeno, peço clemência, eu não sou mais que um produto da Tua existência.
quinta-feira, 18 de dezembro de 2008
segunda-feira, 15 de dezembro de 2008
Auto Retrato em Prosa
Eu sou quem sou. Quem me vê de relance vê-me por inteiro, sou um mero passageiro da minha aparência. Vêem olhos que são da cor que querem quando querem, e a sua expressão é escassa, bruta e devassa. Espalham ao seu redor um fedor imenso e emaranhado em essências intensas da indiferença e da apatia. Vêem um cabelo mal tratado a que nada se tem a dizer. Essa minha aparência é esta, aqui definida por um par de linhas. ( E, parecendo que não, demonstro aqui a minha inaptidão incrível ao raciocínio lógico e matemático. )
O que eu sou, e o que me define, é um conjunto de proposições indefinidas. Não sei do que sou capaz, não sei quem sou e quem vou ser, não sei se não morrerei até amanhã. ( Talvez com a morte a vida ganhe significado. ) E não sei também outras mil e uma coisas que outrém sabe, não me preocupo em sabê-las e critico quem tem um apetite ávido de as saber.
Eu cá nem sei como ávido se escreve, o som não desmistifica a tonalidade, na verdade é o contrário. A cor da palavra, o seu paladar e o seu sentido ultrapassam o seu som. Não importa se a pronunciamos bem, não importa se para nós o significado é diferente, importa sim o que sentimos quando as dizemos. As palavras falam, cantam, entrelaçam, esvoaçam, dão vida, alegram, entristecem, matam.
E o meu ser não é mais que uma palavra, para a qual ninguém encontra significado, som ou sentido. Será uma palavra estranha, disso tenho a certeza. Consigo definir-me completamente, tendo em conta o que sei de mim mesmo, com a palavra "estranho". Tenho um massivo desejo de auto-destruição, não sou como ninguém que conheço,e ninguém me conhece como sou. Quando somos estranhos, não existe a percepção do certo e do errado, enlaça-se o desejo num emaranhado de acontecimentos e emoções. Quando somos estranhos, não sabemos o que sentimos, nem sabemos se o que sentimos são na verdade sentimentos, ou então uma versão amolgada e plástica destes. Cometemos incestos e atropelamos proibições com falsas intenções desmedidas, tudo isto porque não aceitamos a normalidade e a regularidade das situações. Quando se é estranho, não se sente uma única palavra, seja ela profunda ou provocada, e quando se tem a noção de sentir, ela foge e vai voando como uma pomba, branca , esperançada e confiante, e tudo o que sobra é uma restrição imensa dentro de cada um. E digo no plural tudo o que penso que sinto, na esperança que haja pelo mundo quem se sinta como eu. E a esperança há-de voar, não fosse ela uma pomba branca, esperançada de natureza e confiante de si mesma.
Quando sou estranho , e sou em todo o segundo da minha curta estadia, encurtada e vazia pela minha proclamada mutilação, vejo-me a criar todo um enredo factualmente errado da minha vida, e vivo-a como quero, e mesmo assim é imperfeita. O que me leva a pensar, desta vez correcta e reflexivamente, que sei então que além de ser estranho, sou masoquista. E rebaixo-me em todos os momentos da minha vida, intrinseca e levemente revestida, e actuo sobre a minha loucura como se fosse uma religião errada. Religião, não é Deus nem a Razão, nem o sorriso das crianças. Religião é a música, e a melancolia, e saber que o que faço é errado em todos os momentos, todos os meus intentos são fracassados, e as minhas escolhas furadas e vazias.
Eis que apresento então a minha religião empírica, sem qualquer dogma e vazia de qualquer crença. É a estranhice, e eu sou o seu Profeta. E espero encontrar depois seguidores, que acreditem na profecia da estranhice, e a sofram como eu sofro.
É uma síndrome, esta vida, tal como é uma síndrome a minha existência.
O que eu sou, e o que me define, é um conjunto de proposições indefinidas. Não sei do que sou capaz, não sei quem sou e quem vou ser, não sei se não morrerei até amanhã. ( Talvez com a morte a vida ganhe significado. ) E não sei também outras mil e uma coisas que outrém sabe, não me preocupo em sabê-las e critico quem tem um apetite ávido de as saber.
Eu cá nem sei como ávido se escreve, o som não desmistifica a tonalidade, na verdade é o contrário. A cor da palavra, o seu paladar e o seu sentido ultrapassam o seu som. Não importa se a pronunciamos bem, não importa se para nós o significado é diferente, importa sim o que sentimos quando as dizemos. As palavras falam, cantam, entrelaçam, esvoaçam, dão vida, alegram, entristecem, matam.
E o meu ser não é mais que uma palavra, para a qual ninguém encontra significado, som ou sentido. Será uma palavra estranha, disso tenho a certeza. Consigo definir-me completamente, tendo em conta o que sei de mim mesmo, com a palavra "estranho". Tenho um massivo desejo de auto-destruição, não sou como ninguém que conheço,e ninguém me conhece como sou. Quando somos estranhos, não existe a percepção do certo e do errado, enlaça-se o desejo num emaranhado de acontecimentos e emoções. Quando somos estranhos, não sabemos o que sentimos, nem sabemos se o que sentimos são na verdade sentimentos, ou então uma versão amolgada e plástica destes. Cometemos incestos e atropelamos proibições com falsas intenções desmedidas, tudo isto porque não aceitamos a normalidade e a regularidade das situações. Quando se é estranho, não se sente uma única palavra, seja ela profunda ou provocada, e quando se tem a noção de sentir, ela foge e vai voando como uma pomba, branca , esperançada e confiante, e tudo o que sobra é uma restrição imensa dentro de cada um. E digo no plural tudo o que penso que sinto, na esperança que haja pelo mundo quem se sinta como eu. E a esperança há-de voar, não fosse ela uma pomba branca, esperançada de natureza e confiante de si mesma.
Quando sou estranho , e sou em todo o segundo da minha curta estadia, encurtada e vazia pela minha proclamada mutilação, vejo-me a criar todo um enredo factualmente errado da minha vida, e vivo-a como quero, e mesmo assim é imperfeita. O que me leva a pensar, desta vez correcta e reflexivamente, que sei então que além de ser estranho, sou masoquista. E rebaixo-me em todos os momentos da minha vida, intrinseca e levemente revestida, e actuo sobre a minha loucura como se fosse uma religião errada. Religião, não é Deus nem a Razão, nem o sorriso das crianças. Religião é a música, e a melancolia, e saber que o que faço é errado em todos os momentos, todos os meus intentos são fracassados, e as minhas escolhas furadas e vazias.
Eis que apresento então a minha religião empírica, sem qualquer dogma e vazia de qualquer crença. É a estranhice, e eu sou o seu Profeta. E espero encontrar depois seguidores, que acreditem na profecia da estranhice, e a sofram como eu sofro.
É uma síndrome, esta vida, tal como é uma síndrome a minha existência.
domingo, 14 de dezembro de 2008
Aonde o Vento Levar
Hoje sento-me a escrever.
Como tantos outros dias, diga-se de passagem.
Mas hoje, ao contrário dos outros dias, não me sinto um Messias da minha verdade,
Na verdade sinto-me um alarve de pensamentos turvos e emoções trocadas.
Hoje, vou escrever o que o meu coração ditar,
E se ele decidir rimar, tanto melhor.
Chegou a hora de ser quem quero,
Elevar-me ao concreto desespero,
De ser mais um desses que caminha pelo chão seco.
E depois de ser quero-te conhecer,
Por dentro e por fora, quero-me sintar hábil de desenhar-te na minha mente,
Sem qualquer processo indecente,
Senão o da dor e sofrimento.
És um ser que move outro mero ser ao seu propenso abismo,
Que no seu positivismo, cai e voa picado, confiando no vento para o levar.
Essa és tu, e o abismo sou eu , o meu destino.
No sítio onde escrevo só existe uma janela. E de lá nao entra luz.
Está cerrada, encarcerada, acorrentada à sua liberdade.
Eu sinto-me o ser mais liberto de toda a humanidade, estou onde quero,
E como quero, e como pedir para estar com quem quero é demais,
Resigno-me ao meu brilho interno.
Ah, amor eterno, ardente inferno,
Ardor e dor e amor por sei lá o quê.
Contentas-te com emoções estragadas,
Intenções arruinadas, que espalhas pela tua maléfica existência.
Somos todos diabólicos,
Somos máquinas quentes movidas a ódio,
Controladas pelas mentes que actuam sobre Deus,
Esse Deus que nos deixa ser fiéis mórbidos da cadeia de acontecimentos,
E a morte é só um evento, só um evento,
Desta monstruosa criação.
E eu vivo nesta crítica intenção de me mudar a mim mesmo,
Na esperança que o mundo mude comigo.
Mário Neto
Como tantos outros dias, diga-se de passagem.
Mas hoje, ao contrário dos outros dias, não me sinto um Messias da minha verdade,
Na verdade sinto-me um alarve de pensamentos turvos e emoções trocadas.
Hoje, vou escrever o que o meu coração ditar,
E se ele decidir rimar, tanto melhor.
Chegou a hora de ser quem quero,
Elevar-me ao concreto desespero,
De ser mais um desses que caminha pelo chão seco.
E depois de ser quero-te conhecer,
Por dentro e por fora, quero-me sintar hábil de desenhar-te na minha mente,
Sem qualquer processo indecente,
Senão o da dor e sofrimento.
És um ser que move outro mero ser ao seu propenso abismo,
Que no seu positivismo, cai e voa picado, confiando no vento para o levar.
Essa és tu, e o abismo sou eu , o meu destino.
No sítio onde escrevo só existe uma janela. E de lá nao entra luz.
Está cerrada, encarcerada, acorrentada à sua liberdade.
Eu sinto-me o ser mais liberto de toda a humanidade, estou onde quero,
E como quero, e como pedir para estar com quem quero é demais,
Resigno-me ao meu brilho interno.
Ah, amor eterno, ardente inferno,
Ardor e dor e amor por sei lá o quê.
Contentas-te com emoções estragadas,
Intenções arruinadas, que espalhas pela tua maléfica existência.
Somos todos diabólicos,
Somos máquinas quentes movidas a ódio,
Controladas pelas mentes que actuam sobre Deus,
Esse Deus que nos deixa ser fiéis mórbidos da cadeia de acontecimentos,
E a morte é só um evento, só um evento,
Desta monstruosa criação.
E eu vivo nesta crítica intenção de me mudar a mim mesmo,
Na esperança que o mundo mude comigo.
Mário Neto
sábado, 13 de dezembro de 2008
Um céu vermelho
O céu vai-se pintar de uma cor,
De azul, ou cinzento, ou vermelho, ou do que quer que seja,
e mesmo assim vai haver um mesmo céu,
Com essa mesma cor, qualquer que seja.
Os meus olhos vão-se abrir de uma cor,
Em constante mudança,
Em primorosa alternância entre o seu espectro,
E mesmo assim, haverão dois mesmo olhos,
Que se alternarão, com a sua majestosa delicadeza,
Entre o meu próprio, pessoal espectro. Que é de qualquer outro também.
O meu coração, que tomo como meu e certo,
Sente o mesmo que outro coração qualquer,
Que se encontra perto do íman, himen partido,
Que é só teu, que não vejo em qualquer outro ser.
Então pensar ser diferente pelo simples facto de o ser,
É um simples erro logístico. É também, ( sem contar com rimas, iguais a tantas outras )
admitir que o mundo é igual e entediante.
Somos todos diferentes,
Quer sintamos, quer não,
E diz-se pelos caminhos calçados das ruas que viver é simplesmente sentir.
Sentir diferente.
Paulo Oliveira
De azul, ou cinzento, ou vermelho, ou do que quer que seja,
e mesmo assim vai haver um mesmo céu,
Com essa mesma cor, qualquer que seja.
Os meus olhos vão-se abrir de uma cor,
Em constante mudança,
Em primorosa alternância entre o seu espectro,
E mesmo assim, haverão dois mesmo olhos,
Que se alternarão, com a sua majestosa delicadeza,
Entre o meu próprio, pessoal espectro. Que é de qualquer outro também.
O meu coração, que tomo como meu e certo,
Sente o mesmo que outro coração qualquer,
Que se encontra perto do íman, himen partido,
Que é só teu, que não vejo em qualquer outro ser.
Então pensar ser diferente pelo simples facto de o ser,
É um simples erro logístico. É também, ( sem contar com rimas, iguais a tantas outras )
admitir que o mundo é igual e entediante.
Somos todos diferentes,
Quer sintamos, quer não,
E diz-se pelos caminhos calçados das ruas que viver é simplesmente sentir.
Sentir diferente.
Paulo Oliveira
quarta-feira, 10 de dezembro de 2008
Os odores, e as flores, e chão que piso,
Chamam cores, e intrinsecos amores pintados por inteiro,
Num mundo traiçoeiro, que te alberga no seio do ser.
E viver é sentir os mil sentimentos, é ter milhões de tentos na grandeza,
Infame incerteza da nossa existência.
Da leveza do nossa tensão,
Nascem mil flechas enflamadas, intencionalmente direccionadas,
ao teu belo coração, e pelo caminho,
Captam incertezas e rudezas, firmes aleivezas e canções de embalar.
O amor é quase como uma floresta desbravada,
O caminho não é certo, mas o fim adivinha-se ao longe. ( e aqui perde-se a musicalidade. )
E o ardor que até Deus sente,
Esse Deus que invente maneira de o apagar.
E tu e eu contemo-nos na nossa vivência,e consequente indecência, e continuaremos a caminhar.
Mário Neto
Chamam cores, e intrinsecos amores pintados por inteiro,
Num mundo traiçoeiro, que te alberga no seio do ser.
E viver é sentir os mil sentimentos, é ter milhões de tentos na grandeza,
Infame incerteza da nossa existência.
Da leveza do nossa tensão,
Nascem mil flechas enflamadas, intencionalmente direccionadas,
ao teu belo coração, e pelo caminho,
Captam incertezas e rudezas, firmes aleivezas e canções de embalar.
O amor é quase como uma floresta desbravada,
O caminho não é certo, mas o fim adivinha-se ao longe. ( e aqui perde-se a musicalidade. )
E o ardor que até Deus sente,
Esse Deus que invente maneira de o apagar.
E tu e eu contemo-nos na nossa vivência,e consequente indecência, e continuaremos a caminhar.
Mário Neto
segunda-feira, 8 de dezembro de 2008
White Snow Lady and Related Poisoned Apples
On the work, on a pub, on a stretch,
Crack open the door of the reason,
Misguided lights show the way,
To your own prison.
ohh,
no name, ohh,
Rain, the same,
as always.
Say, and re pay , and forget,
Eagles and words are defying to reset,
the animal is making his all prayers,
waiting for pity like it was theirs.
ohh,
Inflame,
ohh...
Crack open the door of the reason,
Misguided lights show the way,
To your own prison.
ohh,
no name, ohh,
Rain, the same,
as always.
Say, and re pay , and forget,
Eagles and words are defying to reset,
the animal is making his all prayers,
waiting for pity like it was theirs.
ohh,
Inflame,
ohh...
sábado, 22 de novembro de 2008
O Fantasma de Tom Joad
E ele caminha, junto do pregador,
E lembra a sua infância.
E o chão está cheio de remorsos e dor,
E o caminho leva à insanidade.
O Homem luta por fome, e a Terra grita pelo que apadrinha.
O Homem rasteja pelo chão nas Vinhas da Raiva,
E a sábia vida foge-lhe entre as mãos.
Ele caminha com um pecador,
Ele próprio era um pecador mortal, como se a morte fosse
Mais terrível que a vida.
E o homem cultiva a terra, na esperança que a destruição leve à bonança.
E o homem destrói a terra, como a sua existência o define.
E o fantasma de Tom Joad agora caminha entre nós,
E está onde o homem a chorar,
E grita,
E desespera gritando,
E quando o mundo se vai afastando das nossas mãos.
O fantasma de Tom Joad, não está vivo, mas grita como se disse se tratasse.
O fantasma de Tom Joad, está na inerte loucura imersiva de todos nós.
Paulo Oliveira
E lembra a sua infância.
E o chão está cheio de remorsos e dor,
E o caminho leva à insanidade.
O Homem luta por fome, e a Terra grita pelo que apadrinha.
O Homem rasteja pelo chão nas Vinhas da Raiva,
E a sábia vida foge-lhe entre as mãos.
Ele caminha com um pecador,
Ele próprio era um pecador mortal, como se a morte fosse
Mais terrível que a vida.
E o homem cultiva a terra, na esperança que a destruição leve à bonança.
E o homem destrói a terra, como a sua existência o define.
E o fantasma de Tom Joad agora caminha entre nós,
E está onde o homem a chorar,
E grita,
E desespera gritando,
E quando o mundo se vai afastando das nossas mãos.
O fantasma de Tom Joad, não está vivo, mas grita como se disse se tratasse.
O fantasma de Tom Joad, está na inerte loucura imersiva de todos nós.
Paulo Oliveira
sexta-feira, 21 de novembro de 2008
Resposta a António Gedeão
A morte é sim a constante da vida,
inconcreta e indefinida,
até ao dia em que vier.
Não é o mundo que a inventa,
Não é um atenuante manso,
Não é um desejo utópico,
Nem um mero sobressalto.
É o Deus e a Besta que meditam,
Orbitam, sobre a diligência e o ultrage.
Nem o sonho,
Nem a vida,
Se reinventa furtiva,
Sobre o espectro da morte.
E já o sonho, esse,
É mero presente da mente,
Mas, o homem sem ele ,
Nem existiria,
Nem teria asas.
E então o homem voa, e voa, voa directo à teia negra da morte.
inconcreta e indefinida,
até ao dia em que vier.
Não é o mundo que a inventa,
Não é um atenuante manso,
Não é um desejo utópico,
Nem um mero sobressalto.
É o Deus e a Besta que meditam,
Orbitam, sobre a diligência e o ultrage.
Nem o sonho,
Nem a vida,
Se reinventa furtiva,
Sobre o espectro da morte.
E já o sonho, esse,
É mero presente da mente,
Mas, o homem sem ele ,
Nem existiria,
Nem teria asas.
E então o homem voa, e voa, voa directo à teia negra da morte.
sábado, 15 de novembro de 2008
Não te vi lá
Eu estive pelo deserto,
Caminhei descalço,
Vi mil cores , sons e flores,
Um buraco negro de dor,
Vi dois passáros,
enquanto caminhava descalço.
Abri uma porta, e lá o deserto continuava.
Vi rios e oceanos, tamanhos desenhos,
De azul ciano em amarelo solar.
Conjuguei o verbo amar,
Em todos os seus Tempos e Modos,
E Pessoas, e letras, e sentidos, e vivi-o,
O sol nao me deixava ter frio.
Corri pela areia fria, vi o chão a abrir, Deus a fluir,
E toda uma sincronização de decisões de indecisões, de morosos rumores,
de monstros voadores, e de esquecimento do esquecimento,
E mais tarde de tudo me esqueci.
Vi o oceano por dentro,
De chão de deserto,
De coração de deserto.
Como há em todas as cidades, e vilas, e aldeias, e sítios e lugares,
Mas os humanos não dão amor,
Nem corroboram a sua liberdade com tintas do Nada.
Corporizaçao, e dor e chagas, e amor sem amor.
Caminhei descalço,
Vi mil cores , sons e flores,
Um buraco negro de dor,
Vi dois passáros,
enquanto caminhava descalço.
Abri uma porta, e lá o deserto continuava.
Vi rios e oceanos, tamanhos desenhos,
De azul ciano em amarelo solar.
Conjuguei o verbo amar,
Em todos os seus Tempos e Modos,
E Pessoas, e letras, e sentidos, e vivi-o,
O sol nao me deixava ter frio.
Corri pela areia fria, vi o chão a abrir, Deus a fluir,
E toda uma sincronização de decisões de indecisões, de morosos rumores,
de monstros voadores, e de esquecimento do esquecimento,
E mais tarde de tudo me esqueci.
Vi o oceano por dentro,
De chão de deserto,
De coração de deserto.
Como há em todas as cidades, e vilas, e aldeias, e sítios e lugares,
Mas os humanos não dão amor,
Nem corroboram a sua liberdade com tintas do Nada.
Corporizaçao, e dor e chagas, e amor sem amor.
quinta-feira, 13 de novembro de 2008
domingo, 9 de novembro de 2008
Imenso
O cansaço de um domingo plácido,
O significado flácido de uma ou outra vida.
6 linhas de interesse, ou cordas em suspenso,
Não dão alma à vida, mas expressão à alma.
Estou impávido e sereno,
Num sentimento recesso,
Aborrecido.
Se ainda me lembrasse da primeira vez que o tive...
Leio então um livro, grande e pleno,
Sobre o amor e o seu significado.
O significado flácido de uma ou outra vida.
6 linhas de interesse, ou cordas em suspenso,
Não dão alma à vida, mas expressão à alma.
Estou impávido e sereno,
Num sentimento recesso,
Aborrecido.
Se ainda me lembrasse da primeira vez que o tive...
Leio então um livro, grande e pleno,
Sobre o amor e o seu significado.
sábado, 1 de novembro de 2008
Não sou mais que um sonho,
Não sou mais que um sonho,
Que tenho quando adormeço,
Não fosse eu mera personagem,
Do sonho que eu penso.
Nunca seja que quem me sonha,
Tencione acordar.
Quem me sonha ?
Mais que quem me sonha, quem não se cansa de me sonhar ?
Oh, nao sou mais que um sonho.
Quero saber o que vou ser,
Quando acordar.
Que o dia venha e cubra o céu de escuridão.
Paulo Oliveira
Que tenho quando adormeço,
Não fosse eu mera personagem,
Do sonho que eu penso.
Nunca seja que quem me sonha,
Tencione acordar.
Quem me sonha ?
Mais que quem me sonha, quem não se cansa de me sonhar ?
Oh, nao sou mais que um sonho.
Quero saber o que vou ser,
Quando acordar.
Que o dia venha e cubra o céu de escuridão.
Paulo Oliveira
(...) E mentir.
Tendência de mentir,
De desmorenar,
Cair.
Tendência de ser,
Mais que cantar,
Compôr, criar.
Tendência de saltar,
Mais que querer ser,
Querer voar.
Paulo Oliveira
De desmorenar,
Cair.
Tendência de ser,
Mais que cantar,
Compôr, criar.
Tendência de saltar,
Mais que querer ser,
Querer voar.
Paulo Oliveira
terça-feira, 28 de outubro de 2008
Vi-a hoje, ( como todos os dias )
Contemplei-a,
Analisei a intenção dos seus gestos,
A dócil sintonia dos elementos da sua face.
Não, não deturpam a mente,
Não é algo indecente, no contexto da mentira.
Giram os meus olhos , perifericamente,
Para todos os recantos do meu mundo.
Ora bolas, (pensei eu para os meus botões), já olhei para todo lado,
E não há nada como ela.
Paulo Oliveira.
Contemplei-a,
Analisei a intenção dos seus gestos,
A dócil sintonia dos elementos da sua face.
Não, não deturpam a mente,
Não é algo indecente, no contexto da mentira.
Giram os meus olhos , perifericamente,
Para todos os recantos do meu mundo.
Ora bolas, (pensei eu para os meus botões), já olhei para todo lado,
E não há nada como ela.
Paulo Oliveira.
Mary
As I walk beside her,
I can't hear you,
It's to dark to see,
I'm too dazed to feel the taste of your voice.
I don't need it tough,
Johanna is all i need,
My intencion is to breed,
Not to be alive.
Paulo Oliveira
I can't hear you,
It's to dark to see,
I'm too dazed to feel the taste of your voice.
I don't need it tough,
Johanna is all i need,
My intencion is to breed,
Not to be alive.
Paulo Oliveira
segunda-feira, 13 de outubro de 2008
Aquilo que ninguém pensa
Tanta gente a fazer tanta coisa,
E eu aqui sentado a escrever numa folha de papel.
Sou apenas dono da minha filosofia doida e descabida,
E sou mais hipócrita que ninguém.
Vou para a varanda, limito-me a ver o mundo construir-se,
A cair , a reconstruir-se, e a cair outra vez.
Se de um lado vejo a floresta do outro vejo a cidade,
Ambos são rápidos a fazer o mundo crescer, e eu aqui,
Limitado por mim mesmo a ver.
Tanta gente que caminha pelas ruas,
Tantos pensamentos de grandeza efémera,
E eu aqui, a passar, e a pensar no que vou fazer a seguir.
Já nem sei se o Mundo me ignora, ou tem vergonha de mim.
Eu visto a minha roupa todos os dias,
Saio todos os dias, e escrevo às vezes do que penso que sei.
Sei, o que eu sei, sei que nem sirvo para nada nem nada serve para mim.
O derradeiro fantoche, a pequena amostra de gente.
Se calhar , se eu pensasse em algo que nao existe,
E o fizesse levitar de filosofia a matéria,
de estupidez imaginária a estupidez palpável,
Se calhar então seria capaz de nao ser só um reflexo agoniante ,
Ou um erro massivo do nosso qualquer criador.
Mas não, tenho frio, e minha psicologia é o meu umbigo.
Tenho o mundo a meus pés,
porque o meu mundo no momento do meu unico pensamento,
É uma camisola de lã, para afastar o frio.
Ainda não pensei no sol, mas visto que nada faço,
Nao terei problemas nem falta de tempo para pensar nele,
Quando vier. E depois há-de ir. Porque é mesmo assim.
E nem será capaz de ser doutra forma. Penso por falta de pensamento,
E talvez por nao acreditar no vácuo de ideias,
Como seria se tudo o que viesse ficasse e não voltasse.
Estaria o mundo tropeçando em pessoas, em histórias, em memórias
De quem já nada mais tem . E eu também .
Nem memórias tenho, e se tivesse, então o mundo que mas fizesse esquecer,
Só no intuito de nao ter nada para me lembrar.
É tao aborrecido lembrar do que já fiz,
E pensar que até fiz algo. Mas nao quero saber.
O que faço, o café que bebo ou a bolacha que como sem pensar,
São a única coisa que fiz para mim. E depois de acabar, volto sem fazer nada.
A vida é uma estrada, que se vai apagando aos poucos.
E quem a tenta reescrever é louco, nao pela extensão a fazer,
Mas pelo que se vai apagando atrás. Porque não fica, nem é para ficar.
Imagino, nao penso ( recuso-me a pensar ) , que caio na rua.
Imagino que tropeço numa pedrinha qualquer,
E me magoo em qualquer lado.
Que ninguém me viria ajudar,
Quer seja pela inerencia visivel da minha loucura,
Quer seja porque talvez me confundissem com qualquer animal,
Que nao pensa, que é irracional, que é ilógico, que estava bem morto.
Mas eu penso, penso que não quero pensar,
porque ao pensar, não sou mais que qualquer outro,
Que gosta de sentir o peso do céu.
Eu cá nao gosto, astronomia nao é para mim.
Gostava de conhecer aquela rapariga que passa por mim,
Mas não tenho tempo para pensar quem é.
Engraçado saber pensar quem ela é , e não ter nem noçao de quem sou.
Engraçado, ou triste ?
Resta-me imaginar como seria se Deus quisesse que eu pensasse,
E eu tivesse de pensar, se era engraçado ou triste,
Nao saber quem sou.~
Mário Neto.
E eu aqui sentado a escrever numa folha de papel.
Sou apenas dono da minha filosofia doida e descabida,
E sou mais hipócrita que ninguém.
Vou para a varanda, limito-me a ver o mundo construir-se,
A cair , a reconstruir-se, e a cair outra vez.
Se de um lado vejo a floresta do outro vejo a cidade,
Ambos são rápidos a fazer o mundo crescer, e eu aqui,
Limitado por mim mesmo a ver.
Tanta gente que caminha pelas ruas,
Tantos pensamentos de grandeza efémera,
E eu aqui, a passar, e a pensar no que vou fazer a seguir.
Já nem sei se o Mundo me ignora, ou tem vergonha de mim.
Eu visto a minha roupa todos os dias,
Saio todos os dias, e escrevo às vezes do que penso que sei.
Sei, o que eu sei, sei que nem sirvo para nada nem nada serve para mim.
O derradeiro fantoche, a pequena amostra de gente.
Se calhar , se eu pensasse em algo que nao existe,
E o fizesse levitar de filosofia a matéria,
de estupidez imaginária a estupidez palpável,
Se calhar então seria capaz de nao ser só um reflexo agoniante ,
Ou um erro massivo do nosso qualquer criador.
Mas não, tenho frio, e minha psicologia é o meu umbigo.
Tenho o mundo a meus pés,
porque o meu mundo no momento do meu unico pensamento,
É uma camisola de lã, para afastar o frio.
Ainda não pensei no sol, mas visto que nada faço,
Nao terei problemas nem falta de tempo para pensar nele,
Quando vier. E depois há-de ir. Porque é mesmo assim.
E nem será capaz de ser doutra forma. Penso por falta de pensamento,
E talvez por nao acreditar no vácuo de ideias,
Como seria se tudo o que viesse ficasse e não voltasse.
Estaria o mundo tropeçando em pessoas, em histórias, em memórias
De quem já nada mais tem . E eu também .
Nem memórias tenho, e se tivesse, então o mundo que mas fizesse esquecer,
Só no intuito de nao ter nada para me lembrar.
É tao aborrecido lembrar do que já fiz,
E pensar que até fiz algo. Mas nao quero saber.
O que faço, o café que bebo ou a bolacha que como sem pensar,
São a única coisa que fiz para mim. E depois de acabar, volto sem fazer nada.
A vida é uma estrada, que se vai apagando aos poucos.
E quem a tenta reescrever é louco, nao pela extensão a fazer,
Mas pelo que se vai apagando atrás. Porque não fica, nem é para ficar.
Imagino, nao penso ( recuso-me a pensar ) , que caio na rua.
Imagino que tropeço numa pedrinha qualquer,
E me magoo em qualquer lado.
Que ninguém me viria ajudar,
Quer seja pela inerencia visivel da minha loucura,
Quer seja porque talvez me confundissem com qualquer animal,
Que nao pensa, que é irracional, que é ilógico, que estava bem morto.
Mas eu penso, penso que não quero pensar,
porque ao pensar, não sou mais que qualquer outro,
Que gosta de sentir o peso do céu.
Eu cá nao gosto, astronomia nao é para mim.
Gostava de conhecer aquela rapariga que passa por mim,
Mas não tenho tempo para pensar quem é.
Engraçado saber pensar quem ela é , e não ter nem noçao de quem sou.
Engraçado, ou triste ?
Resta-me imaginar como seria se Deus quisesse que eu pensasse,
E eu tivesse de pensar, se era engraçado ou triste,
Nao saber quem sou.~
Mário Neto.
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