domingo, 14 de dezembro de 2008

Aonde o Vento Levar

Hoje sento-me a escrever.
Como tantos outros dias, diga-se de passagem.
Mas hoje, ao contrário dos outros dias, não me sinto um Messias da minha verdade,
Na verdade sinto-me um alarve de pensamentos turvos e emoções trocadas.
Hoje, vou escrever o que o meu coração ditar,
E se ele decidir rimar, tanto melhor.



Chegou a hora de ser quem quero,
Elevar-me ao concreto desespero,
De ser mais um desses que caminha pelo chão seco.
E depois de ser quero-te conhecer,
Por dentro e por fora, quero-me sintar hábil de desenhar-te na minha mente,
Sem qualquer processo indecente,
Senão o da dor e sofrimento.
És um ser que move outro mero ser ao seu propenso abismo,
Que no seu positivismo, cai e voa picado, confiando no vento para o levar.
Essa és tu, e o abismo sou eu , o meu destino.

No sítio onde escrevo só existe uma janela. E de lá nao entra luz.
Está cerrada, encarcerada, acorrentada à sua liberdade.
Eu sinto-me o ser mais liberto de toda a humanidade, estou onde quero,
E como quero, e como pedir para estar com quem quero é demais,
Resigno-me ao meu brilho interno.

Ah, amor eterno, ardente inferno,
Ardor e dor e amor por sei lá o quê.
Contentas-te com emoções estragadas,
Intenções arruinadas, que espalhas pela tua maléfica existência.

Somos todos diabólicos,
Somos máquinas quentes movidas a ódio,
Controladas pelas mentes que actuam sobre Deus,
Esse Deus que nos deixa ser fiéis mórbidos da cadeia de acontecimentos,
E a morte é só um evento, só um evento,
Desta monstruosa criação.

E eu vivo nesta crítica intenção de me mudar a mim mesmo,
Na esperança que o mundo mude comigo.


Mário Neto

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